domingo, 23 de maio de 2010

Cancro do Pulmão


O cancro do pulmão é dos tipos mais frequentes de cancro que ocorrem no nosso país. O diagnóstico deste tipo de cancro levanta muitas questões para as quais é necessário haver respostas claras e perceptíveis que por vezes são difíceis de alcançar.


Quais são as principais causas para o aparecimento de Cancro do Pulmão?

90% dos casos de cancro do pulmão são causados pelo hábito de fumar cigarro, enquanto que uma minoria é consequência das substâncias que se encontram ou que se aspiram no local de trabalho. Trabalhar com amianto, radiação, arsénico, crómio, níquel, éter cloro metílico, gás mostrada e emissões de choque dos fornos estão relacionadas com o cancro do pulmão. Por vezes, há algumas formas de cancro do pulmão, principalmente o adenocarcinoma e o carcinoma de células alveolares, verificam-se em pessoas que os pulmões possuem cicatrizes causadas por outras doenças pulmonares, como a tuberculose e a fibrose.

Os sintomas e sinais mais comuns de cancro do pulmão são:



- Tosse que não desaparece que piora com o passar do tempo.



- Dor constante no peito.



- Tosse acompanhada de sangue.



- Falta de ar, asma ou rouquidão.



- Problemas recorrentes, como pneumonia ou bronquite.



- Inchaço do pescoço e rosto.



- Perda de apetite ou de peso.



- Fadiga.



Normalmente, a fase inicial do cancro não causa dor. Mas se a pessoa sentir estes sintomas deve recorrer a um médico.




Que tipos de cancro do Pulmão existem?

A maior parte dos cancros do pulmão começam nos brônquios, denominando-se pelo nome de carcinoma brônquico. Os vários tipos deste cancro são o carcinoma epidermóide, o carcinoma de células pequenas, o carcinoma de células grandes e o adenocarcinoma.
A classificação das formas de cancro baseia-se no tamanho do tumor, na sua possível propagação aos gânglios linfáticos próximos ou a órgãos distantes. As diversas categorias denominam-se fases. Cada fase de um cancro tem o seu tratamento mais apropriado e permite ao médico estabelecer o prognóstico.




Como pode ser diagnosticado o Cancro do Pulmão?

Para encontrar a causa dos sintomas, o médico avalia a história médica da pessoa, história familiar de cancro e o histórico como fumador, especialmente se tem acessos de tosse persistente que pioram ou quando apresenta algum sintoma de perturbação pulmonar.
A maioria dos tumores do pulmão detecta-se através de uma radiografia ao tórax. Dado que uma radiografia não fornece uma prova segura de cancro, é necessário um exame ao microscópio a uma amostra de tecido ou noutro caso praticar uma Broncoscopia. Se o cancro for demasiado profundo para ser alcançado por um broncoscópio, o médico pode obter uma amostra mediante a inserção de uma agulha através da pele, enquanto efectua uma Tomografia Axial Computorizada (TAC), este procedimento denomina-se biopsia com agulha.

No caso de o doente possuir tumor brônquico não canceroso, este geralmente, extrai-se cirurgicamente, dado que podem obstruir os brônquios e tornarem-se cancerosos com o tempo.
Apesar de se poder extrair-se cirurgicamente entre 10% e 35% das formas de cancro, os resultados nem sempre são a cura. Entre os doentes submetidos à extracção, só entre 25% e 40% sobrevivem pelo menos durante 5 anos a contar do diagnóstico. Estes doentes devem submeter-se a controlos regulares porque o cancro do pulmão reincide em 6% a 12% dos doentes operados.
No caso dos indivíduos que continuam a fumar depois da intervenção a percentagem é muito mais elevada.
Quando o cancro se propaga para alem dos pulmões ou quando se situa demasiado perto da traqueia ou quando o individuo sofre de outra doença grave, como por exemplo, uma doença cardíaca ou pulmonar grave, nesse caso a cirurgia não é útil. Mas no caso de o indivíduo sofrer de outra doença grave pode aplicar-se radioterapia. Nestes casos o objectivo da radioterapia é retardar da evolução do cancro. No entanto, a Radioterapia pode inflamar os pulmões, ao qual se dá o nome de pneumonia por radiação, ocasionando tosse, dispneia e febre.
Nenhum tratamento de quimioterapia resulta particularmente eficaz, a não ser que o cancro do pulmão seja do tipo de células pequenas. Nesse caso, a cirurgia não é considerada uma opção válida, dado que quase sempre no momento do diagnóstico o carcinoma de células pequenas do pulmão já se propagou a outras partes diferentes do organismo. Em contrapartida, este cancro trata-se com quimioterapia por vezes combinada com radioterapia.
Outro tipo de tratamento é a terapia com oxigénio e os fármacos que dilatam as vias respiratórias, este tipo de tratamento é aconselhável a indivíduos que tenham dificuldades respiratórias. Em casos de cancro do pulmão avançado o doente sente dor e é tal a dificuldade para respirar que deve administrar-se-lhe um medicamento
narcótico em doses importantes durante a fase terminal, esse medicamento pode durar semanas ou até meses.



Que efeitos secundários podem surgir dos tratamentos?

Alguns efeitos secundários dependem, principalmente, do tipo de tratamento e da sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos), mas também é necessário salientar que as pessoas não reagem todas da mesma forma aos tratamentos.
A cirurgia do cancro do pulmão é uma grande operação. Após a cirurgia do pulmão, o ar e os fluidos tendem a acumular-se no peito. Muitas vezes, a pessoa necessita de ajuda para se virar, tossir e respirar profundamente. No entanto, estas actividades são importantes para recuperação porque ajudam na expansão do restante tecido pulmonar e porque ajudam a eliminar o excesso de fluido e ar.
Depois de uma cirurgia deste tipo é comum haver dor ou fraqueza no peito e no braço, bem como falta de ar.



A quimioterapia afecta tanto as células normais como as cancerígenas. Os efeitos secundários dependem, essencialmente, dos fármacos específicos e da dose (quantidade de fármaco) administrada. Os efeitos mais comuns deste tipo de tratamento são náuseas e vómitos, perda de cabelo, feridas na boca e cansaço.

A radioterapia, tal como a quimioterapia, afecta não só as células cancerígenas como também as normais. Os efeitos mais comuns são a garganta seca e inflamada, dificuldade em deglutir, cansaço, alterações na pele no local do tratamento e perda de apetite. A terapêutica fotodinâmica torna a pele e os olhos sensíveis à luz, durante aproximadamente 6 semanas, ou mais, após o tratamento. A pessoa deverá ser alertada para evitar a luz do sol directa e luz forte interior durante, pelo menos, 6 semanas. Outros efeitos secundários desta terapêutica podem incluir tosse, dificuldade em engolir, dor ao respirar e falta de ar. A pessoa deverá falar com o médico relativamente ao que fazer se a pele apresentar bolhas, vermelhidão ou inchaço.
Em qualquer fase da doença podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.



Que cuidados de acompanhamento se devem ter com um doente de Cancro do Pulmão?

Depois de tratar o cancro do pulmão, é importante fazer avaliações gerais periódicas do estado de saúde, pois mesmo quando se pensa que o cancro foi completamente removido ou destruído, por vezes a doença reaparece: basta uma célula cancerígena não ter sido detectada e ter permanecido no organismo após o tratamento, para que o cancro reapareça, no mesmo local ou não.
Regularmente o médico avalia a recuperação do paciente através de exames físicos, radiografias ao tórax e testes laboratoriais.


Cancro do Ovário


Os ovários fazem parte do aparelho reprodutor feminino e estão localizados na pélvis. Cada ovário é mais ou menos do tamanho de uma amêndoa.
Os ovários produzem as hormonas femininas - estrogénio e progesterona e libertam óvulos que se deslocam a partir de cada ovário, através da trompa de Falópio em direcção ao útero.
O cancro do ovário (carcinoma do ovário) desenvolve-se sobretudo nas mulheres com 50 e 70 anos. Globalmente, cerca de 1 em cada 7 mulheres contrai esta doença. É o terceiro cancro mais frequente do aparelho reprodutor feminino, mas, em compensação, morrem mais mulheres de cancro do ovário do que de qualquer outro que afecte o aparelho reprodutor.
Os ovários incluem vários tipos de células, cada uma das quais pode transformar-se num tipo diferente de cancro. Foram identificados pelo menos 10 tipos diferentes de cancros ováricos, pelo que o tratamento e as perspectivas de recuperação diferem conforme o tipo específico.
As células ováricas cancerosas podem disseminar-se directamente até à área que as rodeia e, pelo sistema linfático, até outras partes da pélvis e do abdómen. As células cancerosas também podem propagar-se pela circulação sanguínea e, finalmente, aparecer em pontos distantes do corpo, sobretudo o fígado e os pulmões.


Sintomas:


O cancro do ovário em fase inicial não causa sintomas óbvios. Porém, à medida que o cancro evolui, podem surgir os seguintes sintomas:


- Pressão ou dor no abdómen, pélvis, costas ou pernas;


- Abdómen inchado ou sensação de “empanturrado”;


- Náuseas, indigestão, gases, obstipação (prisão de ventre) ou diarreia;


- Sensação constante de grande cansaço;


Alguns sintomas menos frequentes são:


- Falta de ar;


- Vontade constante de urinar;


- Hemorragias vaginais invulgares (períodos de grande fluxo ou hemorragia, após a menopausa)
Na maioria dos casos, estes sintomas não são indicadores de cancro, embora apenas o médico possa afirmá-lo com exactidão. As mulheres que apresentem estes sintomas devem informar o seu médico.



Prevenção:


- Amamentar;


- Fazer ligadura de trompa ou histerectomia (retira cirúrgica do útero) sem ter tido os seus ovários retirados;


- Uso de anticoncepcional oral;


- Redução da quantidade de gordura na dieta.



Factores de risco:


- Antecedentes familiares de cancro: As mulheres cuja mãe, filha(s) ou irmã(s) têm ou tiveram cancro do ovário apresentam um risco acrescido de desenvolver a doença. As mulheres com antecedentes familiares de cancro da mama, útero, cólon ou do recto podem, de igual modo, apresentar um risco acrescido para desenvolver cancro do ovário. O facto de algumas mulheres da mesma família terem tido cancro do ovário ou da mama, sobretudo em novas, é considerado um antecedente familiar muito forte. Se tal acontecer, poder-lhe-á ser sugerido que a própria, bem como as outras mulheres da família, realizem um teste genético; estes testes podem revelar a presença de determinadas alterações genéticas que aumentam o risco de cancro do ovário.


- Antecedentes pessoais de cancro: as mulheres que já tiveram cancro da mama, útero, cólon ou recto apresentam um risco acrescido de vir a desenvolver cancro do ovário.


- Idade superior a 55 anos: a maioria das mulheres diagnosticadas com cancro do ovário tem mais de 55 anos.


- Nunca ter engravidado: as mulheres com idade avançada e que nunca tenham engravidado, apresentam um risco acrescido de desenvolver cancro do ovário.


- Terapêutica hormonal na menopausa: alguns estudos sugerem que as mulheres que fazem terapêutica hormonal apenas com estrogénio (sem progesterona), durante 10 ou mais anos, podem apresentar um risco acrescido de desenvolver cancro do ovário.



Rastreio:


- Exame físico: o médico avalia o estado geral do doente, pressionando o abdómen para verificar a existência de um tumor ou uma acumulação anormal de líquido (ascite). Pode ser retirada uma amostra de líquido para a identificação de possíveis células cancerígenas do ovário.


- Exame pélvico: o médico palpa os ovários e órgãos adjacentes para verificar a presença de “caroços” ou outras alterações de formato ou tamanho. O teste de Papanicolau faz parte do exame pélvico normal, mas não é utilizado para recolher células do ovário: pode permitir a detecção do cancro do colo do útero não sendo, no entanto, utilizado no diagnóstico do cancro do ovário.


- Análises ao sangue: o médico poderá requisitar análises ao sangue. O laboratório pode avaliar os níveis de várias substâncias, como o CA-125. O CA-125 é uma substância que se encontra na superfície das células cancerígenas do ovário e de alguns tecidos normais. Se a sua concentração for elevada, pode ser um sinal de cancro ou de outras perturbações. A análise do CA-125 não é utilizada no diagnóstico do cancro do ovário, mas este teste pode monitorizar a resposta ao tratamento do cancro do ovário e para detectar recidivas após o tratamento.


- Ecografia: o aparelho de ecografia utiliza ondas ultrassónicas, que não são audíveis para o ser humano. O aparelho emite ondas sonoras para os órgãos localizados no interior da pélvis, que as reflectem. O computador cria uma imagem a partir dos ecos reflectidos, que pode revelar um tumor do ovário. Para melhor visualização dos ovários, o dispositivo pode ser inserido na vagina (ecografia transvaginal).


- Biópsia: uma biopsia consiste na recolha de tecidos ou líquido para determinar a presença de células cancerígenas. Com base nos resultados das análises ao sangue e da ecografia, o médico poderá sugerir a realização de uma cirurgia (laparotomia) para remover tecido e líquido da pélvis e do abdómen. Geralmente, é necessária uma cirurgia para diagnosticar o cancro do ovário.


Tratamento:


O médico pode descrever as possíveis opções de tratamento e resultados esperados. A maioria das mulheres é submetida a cirurgia e quimioterapia. A radioterapia raramente é utilizada.
O tratamento do cancro pode afectar células cancerígenas na pélvis, no abdómen ou em todo o corpo:


Tratamento local: a cirurgia e a radioterapia são tratamentos locais, que removem ou destroem o cancro do ovário na pélvis. Quando o cancro atinge outras zonas do organismo, o tratamento local pode ser utilizado para controlar a doença nessas áreas específicas.
Quimioterapia intraperitoneal: a quimioterapia pode ser administrada directamente no abdómen e na pélvis através de um tubo fino. Os fármacos destroem ou controlam o cancro no abdómen e na pélvis.


Quimioterapia sistémica: este tratamento é designado por sistémico, uma vez que os fármacos entram na corrente sanguínea e podem afectar todas as células.
Cinco anos depois do diagnóstico, o índice de sobrevivência das mulheres com os tipos mais frequentes de cancro do ovário é de 15 % a 85 %. Esta margem tão ampla reflecte diferenças na agressividade de certos cancros e nas diversas respostas imunológicas face ao cancro entre as mulheres.

Cancro do Estômago


O estômago faz parte do aparelho digestivo. Está localizado no abdómen superior, debaixo das costelas. A porção superior do estômago está ligada ao esófago e a porção inferior conduz ao intestino delgado.
Quando os alimentos entram no estômago, os músculos da parede do estômago criam um movimento ondulado, que mistura e esmaga os alimentos. Simultaneamente, os sucos produzidos pelas glândulas do revestimento do estômago ajudam a digerir os alimentos. Após cerca de 3 horas, os alimentos transformam-se num líquido, que segue para o intestino delgado, onde continua o processo da digestão.
O cancro do estômago, também chamado de cancro gástrico, pode desenvolver-se em qualquer parte do estômago, e pode "espalhar-se", ou seja, disseminar-se, através do estômago e para outros órgãos. Pode crescer ao longo da parede do estômago, para o esófago ou para o intestino delgado. Pode, ainda, atravessar a parede do estômago e "invadir" os gânglios linfáticos, órgãos como o fígado, pâncreas e cólon. O cancro do estômago pode, também, propagar-se para órgãos distantes, como os pulmões, ovários e para os gânglios linfáticos acima da clavícula.



Sintomas:


O cancro do estômago pode ser difícil de detectar precocemente. Geralmente, não há sintomas nos estádios iniciais e, em muitos casos, antes de ser detectado, o tumor já está metastizado. Quando há sintomas, geralmente são vagos, ou seja, não específicos, e a pessoa ignora-os.

O cancro do estômago pode provocar os seguintes sintomas:


Indigestão ou sensação de ardor (azia);


Desconforto ou dor no abdómen;


Náuseas e vómitos;


Diarreia ou obstipação;


Dilatação do estômago, após as refeições;


Perda de apetite;


Fraqueza e cansaço;


Hemorragia (vómito de sangue ou sangue nas fezes).



Factores de risco:


A verdadeira causa do cancro do estômago não se conhece, mas identificaram-se vários factores de risco. Por um lado, existem famílias com uma elevada incidência da doença, o que sugere a existência de uma predisposição genética transmitida hereditariamente.
Por outro lado, pensa-se que determinados hábitos alimentares, como o regular consumo de líquidos e comidas muito quentes ou com alimentos excessivamente condimentados, assim como o elevado consumo de gramíneas, de guisados e salgados ou de produtos com um alto teor de nitratos, podem favorecer o seu desenvolvimento, explicando assim a sua desigual frequência nas diversas regiões do planeta.
Verifica-se, também, uma especial incidência de cancro do estômago nas pessoas que previamente sofreram determinadas doenças gástricas, como gastrite crónica de longa evolução, gastrite hipertrófica e tumores benignos do tipo pólipos.



Rastreio:

Se apresentar quaisquer sinais ou sintomas de cancro do estômago, o médico deverá confirmar se são provocados por um tumor ou por qualquer outra causa. O médico irá fazer algumas perguntas relacionadas com a história clínica e familiar, bem como fazer um exame físico. Pode, ainda, pedir análises, raios-X ou outros exames.

Para detectar a causa dos sintomas, podem ser usados os seguintes testes

Pesquisa de sangue oculto nas fezes (FOBT): por vezes, o cancro do estômago provoca hemorragias que não se conseguem ver, e sangra. Através desta pesquisa (FOBT), podem ser detectadas pequenas quantidades de sangue nas fezes. Se nesta análise for detectado sangue, serão necessários testes adicionais para encontrar a origem do sangue. Há situações benignas, como as hemorróidas, que podem provocar sangue nas fezes.

Radiografia (raios-X) com contraste do esófago e do estômago (tracto gastrointestinal superior) - trânsito esófago-gastro-duodenal: a radiografia é realizada depois da pessoa ter bebido uma solução de bário, um líquido grosso e esbranquiçado (ingestão de papa). O bário delimita o estômago, no raio-X, ajudando o médico a encontrar tumores ou outras áreas anómalas. Durante o exame, o médico pode bombear ar para o estômago, de modo a tornar mais visíveis os tumores pequenos.

Endoscopia: exame do estômago e do esófago, usando um tubo fino e iluminado, chamado de gastroscópio, que é inserido através da boca, seguindo pelo esófago até ao estômago. A garganta da pessoa é pulverizada com um anestésico local, para reduzir o desconforto e os vómitos. Podem, ainda, ser administrados medicamentos relaxantes. Através do gastroscópio, o médico pode ver directamente para dentro do estômago. Se encontra uma área anormal, pode remover algum tecido, através do gastroscópio. Depois, um patologista examina o tecido, ao microscópio, para verificar se existem células cancerígenas. A este procedimento - remoção de tecido e exame ao microscópio - chama-se biópsia. A biópsia é o único método seguro para saber se há células cancerígenas.



Tipos e evolução:


O cancro do estômago tem normalmente a sua origem nas capas mais superficiais da parede gástrica, podendo difundir-se a partir daí, segundo diversas modalidades.


• Carcinoma invasivo: o tumor cresce dentro da parede do estômago, invadindo toda a sua espessura. Ao atravessar a parede gástrica, difunde-se directamente nos órgãos contíguos, propagando-se a outros mais distantes através das vias linfática e sanguínea, provocando a sua metástase em fases relativamente precoces.

• Carcinoma ulceroso: o tumor desenvolve-se como uma lesão erosiva na superfície do estômago e adopta um aspecto parecido ao da úlcera gástrica, com a qual pode ser confundido tanto na lesão como nos sintomas.


• Carcinoma polipóide: o tumor cresce até à entrada da cavidade gástrica, adoptando uma forma poliposa.



Tratamento:



O principal recurso terapêutico do cancro do estômago corresponde à cirurgia, ou seja, à remoção do tumor e de uma parte mais ou menos ampla do estômago ou, por vezes, à total extracção do órgão. A técnica empregue e a sua utilidade dependem das características do cancro no momento da intervenção. Às vezes, basta eliminar o tumor e um sector limitado da parede gástrica, mas noutras ocasiões há que extrair a maior quantidade possível de massa tumoral e proceder à reparação dos órgãos vizinhos infiltrados.
Como complemento da cirurgia paliativa, pode-se utilizar a radioterapia (aplicação de radiações), para travar o desenvolvimento do tumor e aliviar os sintomas.
Como complemento da cirurgia efectuada com pretensão curativa recorre-se à quimioterapia (administração de fármacos anti-cancerosos) a fim de evitar o desenvolvimento de metástases e melhorar o prognóstico.

Cancro do Colo do Útero


O colo do útero faz parte do aparelho reprodutor feminino. É a parte inferior e mais estreita do útero (“ventre”). O útero é um órgão oco, em forma de pêra, situado no abdómen inferior. O colo do útero liga o útero à vagina que, por sua vez, conduz ao exterior do corpo.
O cancro do colo do útero localiza-se no cérvix – a zona inferior do útero que o liga à vagina.Apesar do rastreio para a sua detecção numa fase inicial, o cancro do colo do útero permanece a segunda maior causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre mulheres jovens (idades compreendidas entre os 15 – 44), na Europa .Na Europa, são anualmente diagnosticados cerca de 33.500 cancros do colo do útero e 15.000 mulheres morrem em consequência da doença por ano (o equivalente a 40 mulheres por dia e duas mulheres por hora).



Factores de risco:



Nem sempre se consegue explicar por que é que algumas mulheres desenvolvem cancro do colo do útero e outras não. Contudo, sabe-se que uma mulher com determinados factores de risco está mais predisposta do que outras a desenvolver cancro cervical. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de se vir a desenvolver a doença. Estudos efectuados identificaram alguns factores que podem aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero. Quando presentes em simultâneo, estes factores aumentam ainda mais o risco:



- Vírus do papiloma humano (HPV): a infecção por HPV é o principal factor de risco para o cancro do colo do útero. O HPV é um conjunto de vírus que pode infectar o colo do útero. As infecções por HPV são muito frequentes. Estes vírus podem ser transmitidos de pessoa para pessoa através de contacto sexual, sendo que a maioria dos adultos já foi num dado momento da sua vida infectada com HPV. Alguns tipos de HPV podem provocar alterações nas células do colo do útero, alterações essas que podem originar verrugas, cancro e outras complicações genitais. Os médicos devem verificar se há sinais de HPV, mesmo que não existam verrugas ou outros sintomas. Se uma mulher tiver uma infecção por HPV, o médico pode sugerir algumas formas de evitar o contágio a outras pessoas. O exame de Papanicolau pode detectar alterações nas células do colo do útero causadas por HPV.O tratamento destas alterações celulares pode evitar o desenvolvimento de cancro do colo do útero. Existem vários métodos de tratamento, designadamente congelar ou queimar o tecido infectado. Pode também ser utilizada medicação.



- Não realizar o exame de Papanicolau regularmente: o cancro do colo do útero é mais frequente em mulheres que não realizam periodicamente o exame de Papanicolau. Este exame possibilita a detecção de células pré-cancerígenas. O tratamento das alterações cervicais pré-cancerígenas previne, muitas vezes, o desenvolvimento de cancro.



- Sistema imunitário enfraquecido (o sistema de defesa natural do organismo): as mulheres infectadas com VIH (o vírus que provoca SIDA) ou sob medicação inibidora do sistema imunitário, apresentam risco aumentado de desenvolver cancro do colo do útero. Nestas mulheres, os médicos recomendam o rastreio regular do cancro do colo do útero.



- Idade: o cancro do colo do útero ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos de idade.



- História sexual: as mulheres que tenham tido muitos parceiros sexuais apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do cancro do colo do útero. As mulheres que tenham tido relações sexuais com homens que, por sua vez, tenham tido muitas parceiras sexuais, apresentam também maior risco de desenvolver cancro do colo do útero. Em ambos os casos, o risco é acrescido, uma vez que estas mulheres têm maior risco de infecção por HPV.



- Tabagismo: as mulheres fumadoras com infecção por HPV apresentam um risco acrescido de desenvolver cancro do colo do útero.



- Tomar a pílula durante longos períodos de tempo: tomar a pílula durante longos períodos de tempo (5 anos ou mais) pode aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero, em mulheres infectadas por HPV.



- Ter muitos filhos: estudos efectuados sugerem que as mulheres infectadas por HPV que tenham muitos filhos, podem apresentar risco acrescido para o desenvolvimento de cancro do colo do útero.




Sintomas:

As alterações pré-cancerígenas e os cancros precoces do colo do útero não tendem a provocar dor ou outros sintomas. É importante não esperar até surgirem dores para consultar o médico.
Quando a doença se agrava, a mulher pode apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:


- Hemorragia vaginal anormal


-Hemorragia entre períodos menstruais regulares.


-Hemorragia após relação sexual, irrigação vaginal ou exame pélvico


Períodos menstruais mais prolongados e intensos do que anteriormente
Hemorragias após a menopausa


- Aumento do corrimento vaginal


- Dor pélvica


- Dor durante as relações sexuais



Causas:

Ao contrário de muitos outros cancros, a principal causa do cancro do colo do útero não é hereditária. De facto, a causa desta forma de cancro é sempre um vírus. Este vírus é o chamado Papilomavírus Humano que consegue transformar as células do colo uterino, provocando lesões, que em alguns casos progridem para lesões cancerosas. Existem vários tipos de Papilomavírus Humano. A maioria são inofensivos, mas outros podem ser bastante perigosos para a saúde humana, como os que estão na origem do cancro do colo do útero.



Prevenção/Detecção:



O rastreio é fundamental para detectar alterações cervicais antes da manifestação de sintomas. O rastreio permite ao médico detectar células anómalas antes do cancro se desenvolver. A identificação e o tratamento de células anómalas pode prevenir a maioria dos cancros cervicais. O rastreio pode, também, ser útil para detectar cancros precoces, numa altura em que o tratamento tem maior probabilidade de ser eficaz.
Nas últimas décadas, o número de casos de cancro do colo do útero diagnosticados anualmente tem vindo a diminuir, fenómeno que se deve, sobretudo, ao sucesso do rastreio.
Os médicos recomendam às mulheres que efectuem regularmente o exame de Papanicolau, de forma a reduzir o risco de desenvolver cancro do colo do útero. O exame de Papanicolau (por vezes designado por esfregaço Papanicolau ou esfregaço cervical) é um procedimento simples utilizado para analisar as células cervicais que, em geral, não é doloroso. O exame de Papanicolau realiza-se num consultório médico ou clínica, durante o exame pélvico. O médico ou a enfermeira recolhe (“raspa”) uma amostra de células do colo do útero, colocando-as, posteriormente, numa lâmina de vidro (esfregaço). Num tipo novo de exame de Papanicolau (citologia líquida), as células são mergulhadas num pequeno recipiente com líquido; um aparelho especial coloca as células nas lâminas. Nos 2 tipos de exame de Papanicolau, o laboratório analisa ao microscópio as células nas lâminas para detecção de quaisquer anomalias.

Os exames de Papanicolau podem detectar cancro do colo do útero ou células anómalas, que podem levar ao desenvolvimento deste tipo de cancro. Por isso:


- As mulheres devem começar a realizar o exame de Papanicolau 3 anos após terem iniciado a sua actividade sexual ou aos 21 anos (o que ocorrer primeiro).


- A maioria das mulheres deverá realizar um exame de Papanicolau, pelo menos, de 3 em 3 anos.


- As mulheres com idades compreendidas entre os 65 e os 70 anos e que, durante os últimos 10 anos, tenham realizado pelo menos três exames de Papanicolau com resultados normais e nenhum exame com alterações, podem decidir, depois de abordar a questão com o seu médico, deixar de realizar o rastreio do cancro do colo do útero.


- As mulheres que tenham sido submetidas a histerectomia (cirurgia) para remoção do útero e do colo do útero, também designada por histerectomia total, não necessitam de realizar o rastreio do cancro do colo do útero. Contudo, se a cirurgia tiver constituído um tratamento para células pré-cancerígenas, deve-se continuar a realizar o rastreio. As mulheres devem falar com o médico sobre quando começar a realizar o exame de Papanicolau, a sua frequência e quando podem deixar de o fazer. Isto é particularmente importante para mulheres com risco aumentado para o desenvolvimento de cancro do colo do útero.





Diagnóstico:



Se uma mulher apresentar um dos sintomas típicos ou um resultado do exame de Papanicolau que possa sugerir a presença de células pré-cancerígenas ou de cancro do colo do útero, deverá fazer:



- Colposcopia: utilização de um colposcópio para analisar o colo do útero. O colposcópio associa uma luz brilhante a uma lente de aumento para facilitar a visualização do tecido. Não é inserido na vagina. Em geral, a colposcopia realiza-se num consultório médico ou clínica.


- Biópsia: o médico recolhe tecido para proceder à pesquisa de células pré-cancerígenas ou cancerígenas. A maioria das biópsias são feitas no consultório médico mediante anestesia local. Posteriormente, o tecido será examinado por microscopia por um patologista.


Biópsia por punção: o médico utiliza um dispositivo oco e afiado para retirar pequenas quantidades de tecido cervical.


LEEP: o médico utiliza um fio eléctrico com laço para cortar uma porção fina e arredondada de tecido.


Curetagem endocervical: o médico utiliza uma cureta (pequeno instrumento em forma de colher) para raspar uma pequena amostra de tecido do canal cervical. Pode utilizar-se uma escova fina e macia em vez da cureta.


Biópsia em cone: o médico recolhe uma amostra de tecido em forma de cone. A biópsia em cone, ou conização, permite ao patologista observar se existem células anómalas no tecido abaixo da superfície do colo do útero. Este exame pode ser feito no hospital mediante anestesia geral. A biópsia em cone pode ainda ser utilizada para remover uma zona pré-cancerígena.

A remoção de tecido do colo do útero pode provocar hemorragia ou corrimento. Regra geral, a zona cicatriza rapidamente. A mulher pode sentir alguma dor, semelhante às dores menstruais, e desconforto que é possível aliviar com medicação.




Tratamento:



A escolha do tratamento depende sobretudo da dimensão do tumor e da sua possível disseminação. Para uma mulher em idade fértil, a escolha do tratamento pode ainda depender da sua intenção, ou não, de engravidar.
O médico poderá descrever-lhe as opções de tratamento e os resultados esperados para cada um deles. O médico e o doente podem trabalhar em conjunto no desenvolvimento de um plano terapêutico adaptado às necessidades médicas e aos valores pessoais do doente.
As mulheres com cancro do colo do útero podem ser tratadas através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, radioterapia com quimioterapia ou uma combinação dos três métodos.
Em qualquer estádio da doença, as mulheres com cancro do colo do útero podem ser medicadas no sentido de controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários dos tratamentos e para atenuar problemas práticos e emocionais. Este tipo de tratamento é designado por cuidados de suporte, gestão dos sintomas ou cuidados paliativos.

Cirurgia
A cirurgia trata o cancro localmente, no colo do útero e na área adjacente ao tumor.
A maioria das mulheres com cancro do colo do útero precoce é submetida a cirurgia para remover o colo do útero e o útero (histerectomia total). Contudo, em estadios de evolução muito precoces (estadio 0) de cancro do colo do útero, pode não ser necessário realizar uma histerectomia. Entre outras formas de excisão do tecido cancerígeno contam-se a biópsia core, a criocirurgia, a cirurgia laser ou LEEP.
Algumas mulheres necessitam de efectuar uma histerectomia radical. Na histerectomia radical é removido o útero, o colo do útero e parte da vagina. Tanto na histerectomia total como na histerectomia radical, podem remover-se as trompas de Falópio e os ovários. A este procedimento dá-se o nome de salpingo-ooforectomia.


Radioterapia
A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas, afectando apenas as células da região tratada.
As doentes podem ser submetidas a radioterapia, radioterapia com quimioterapia ou quimioterapia com cirurgia. Para um pequeno número de mulheres que não possam ser submetidas a cirurgia por motivos clínicos, o médico pode sugerir a radioterapia como alternativa à cirurgia. A maioria das mulheres com cancro disseminado é submetida a radioterapia com quimioterapia. Para cancros que atingiram órgãos distantes, apenas a radioterapia é eficaz.

Quimioterapia
A quimioterapia utiliza fármacos anti-neoplásicos para matar as células cancerígenas. É considerado um tratamento sistémico, uma vez que os fármacos entram na corrente sanguínea e afectam as células de todo o corpo. No tratamento do cancro do colo do útero é usual combinar a quimioterapia com a radioterapia. Em cancros que se disseminaram para órgãos distantes pode utilizar-se apenas quimioterapia.
Os fármacos anti-neoplásicos usados no tratamento do cancro do colo do útero são geralmente administrados por via intravenosa. Regra geral, as mulheres são submetidas ao tratamento no hospital em regime de ambulatório, no consultório médico ou em casa. Durante o tratamento, as doentes raramente necessitam de ser hospitalizadas.

sábado, 22 de maio de 2010

Cancro do Cérebro


O cancro do cérebro é um tumor maligno que se desenvolve mais ou menos rapidamente. Distingue-se das metástases cerebrais, que são ramificações de um cancro com origem noutro órgão. À medida que o tumor se expande, aumenta a pressão no interior do crânio com danos graves para o cérebro. Porém não é só o aumento do volume do tumor que faz aumentar a pressão intracraniana. Geralmente o tumor provoca uma reacção no tecido que o circunda levando à acumulação de líquido peritumoral - edema cerebral - que aumenta a pressão sobre o cérebro provocando várias complicações. Os doentes apresentam então sintomas como: dores de cabeça, mal-estar, náuseas ou vómitos, alterações do equilíbrio e da visão. Por vezes também têm crises convulsivas e modificações do comportamento.
O cancro do cérebro pode adquirir múltiplas formas (ou tipos de tumor) que têm designações diferentes de acordo com o tipo de células que originou tumor.
Alguns tumores cerebrais afectam as crianças, outros os jovens, mas a maior parte desenvolve-se na idade média da vida. O glioblastoma é o tipo mais frequente de tumor cerebral. Este tumor desenvolve-se a partir do tecido conjuntivo que suporta o sistema nervoso, o tecido glial. Um outro tipo comum de tumor cerebral é o meduloblastoma ou cancro do cerebelo que afecta sobretudo as crianças e tem uma evolução muito rápida.


Sintomas:

Os sintomas dos tumores cerebrais dependem do tamanho, tipo e localização do tumor. Os sintomas podem surgir quando o tumor comprime um nervo ou danifica determinada área do encéfalo. Os sintomas podem ainda surgir quando o encéfalo incha ou o líquido dentro do crânio aumenta.


Os sintomas mais frequentes dos tumores cerebrais são os seguintes:


- Dores de cabeça (geralmente mais fortes de manhã)


- Náuseas ou vómitos


- Alterações na fala, visão ou audição


- Dificuldade em manter o equilíbrio ou andar


- Alterações de humor, personalidade ou capacidade de concentração


- Problemas de memória


- Espasmos ou tremores musculares (ataques epilépticos convulsões)


- Enfraquecimento ou formigueiro nos braços ou pernas


Estes sintomas não constituem sinais óbvios da existência de tumor cerebral, uma vez que podem dever-se a outras situações. As pessoas que apresentarem estes sintomas devem consultar o seu médico o mais rapidamente possível. Estes problemas só podem ser diagnosticados e tratados por um médico.



Prevenção:


A pessoa tem de estar atento a certos sintomas, como dores de cabeça, má disposição, etc. Mal sinta estes sintomas, deve consultar o seu médico.





Factores de risco:


- Sexo – De modo geral, os tumores cerebrais são mais frequentes nos homens do que nas mulheres. Contudo, os meningiomas ocorrem sobretudo em mulheres.


- Raça – Os tumores cerebrais surgem mais frequentemente em caucasianos do que noutras raças.


- Idade – A maioria dos tumores cerebrais é detectada a partir dos 70 anos. No entanto, os tumores cerebrais são o segundo tipo de cancro mais frequente nas crianças (a leucemia é o cancro mais frequente na infância). Os tumores cerebrais são mais frequentes em crianças com menos de 8 anos.


- Antecedentes familiares – As pessoas com familiares que desenvolveram gliomas podem ter maior probabilidade de desenvolver esta doença.
Exposição a radiação ou a certos químicos no local de trabalho.


- Radiação – Os trabalhadores da indústria nuclear apresentam um risco acrescido de desenvolver um tumor cerebral.


- Formaldeído – Ospatologistas e embalsamadores que trabalhem com formaldeído têm um risco acrescido de desenvolver um tumor cerebral. Não se observou risco acrescido de desenvolver tumores cerebrais noutros trabalhadores expostos ao formaldeído.


- Cloretos de Vinilo – Os trabalhadores da indústria de plástico podem estar expostos ao cloreto de vinilo. Este químico pode aumentar o risco de desenvolver tumores cerebrais.


- Acrilonitrilo – Os trabalhadores da indústria têxtil e dos plásticos podem estar expostos ao acrilonitrilo. Este químico pode aumentar o risco de desenvolver tumores cerebrais.



Rastreio:

- Exame físico – O médico verifica os sinais gerais de saúde.


- Exame neurológico – O médico verifica a agilidade, força muscular, coordenação, reflexos e resposta à dor. O médico também examina os olhos para identificar edemas que possam ser provocados pela compressão do tumor no nervo óptico, que liga o olho ao encéfalo.


- Tomografia Axial Computorizada (TAC) – Através de um aparelho de raios X ligado a um computador, é possível obter várias imagens da cabeça. Poderá ser administrado material de contraste para se observar o encéfalo com maior nitidez. O material de contraste permite observar os órgãos e os tecidos de tumores cerebrais.


- Ressonância Magnética – Um íman gigante ligado a um computador permite obter imagens detalhadas do interior do corpo. Estas imagens são visualizadas num monitor e podem ser impressas. Por vezes, é injectado um contraste para ajudar a visualizar diferenças nos tecidos cerebrais. As imagens podem evidenciar um tumor ou outro problema cerebral.




Tratamento:


Os doentes com tumores cerebrais dispõem de várias opções de tratamento. Consoante o tipo de tumor e o seu estádio, os doentes podem ser submetidos a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Alguns doentes recebem um tratamento combinado.
Em qualquer estádio de evolução da doença, os doentes podem receber tratamento para controlar a dor e outros sintomas, para atenuar os efeitos secundários do tratamento e para reduzir os problemas emocionais. Este tipo de tratamento é designado por controlo dos sintomas, cuidados de suporte ou cuidados paliativos.






Reabilitação:


A reabilitação pode constituir uma etapa fundamental do plano terapêutico. Os objectivos da reabilitação dependem das necessidades do doente e dos efeitos do tumor nas suas actividades diárias. A equipa médica pode ajudar o doente a retomar as suas actividades normais o quanto antes. Vários tipos de terapeutas podem ajudar:

- Fisioterapeutas – Os tumores cerebrais e seu tratamento podem provocar paralisia, para além de fraqueza e perturbações do equilíbrio. Os fisioterapeutas ajudam os doentes a recuperar a força e o equilíbrio.


- Terapeutas da fala – Os terapeutas da fala ajudam os doentes com dificuldade em falar, exprimir pensamentos ou engolir.


- Terapeutas ocupacionais – Os terapeutas ocupacionais ajudam os doentes a aprender a levar a cabo as actividades do quotidiano, como comer, ir à casa de banho, tomar banho e vestir-se.

As crianças com tumores cerebrais podem ter necessidades especiais. Por vezes, as crianças dispõem de explicadores no hospital ou em casa. As crianças com dificuldades de aprendizagem ou memória poderão ter de recorrer a explicadores ou integrar turmas especiais quando voltam para a escola.
Mas, apesar do tratamento, só 25 % dos doentes com cancro no cérebro vivem mais de dois anos. O prognóstico é ligeiramente melhor em tumores como os astrocitomas e os oligodendrogliomas, os quais não costumam reproduzir-se durante os 3 a 5 anos posteriores ao tratamento. Cerca de 50 % dos doentes tratados por um meduloblastoma sobrevivem mais de 5 anos.
O tratamento do cancro cerebral tem mais possibilidades de êxito em pessoas com menos de 45 anos, nas que sofrem de astrocitoma anaplásico em vez de glioblastoma multiforme e naquelas cujo tumor pode ser extirpado cirurgicamente em grande parte ou na sua totalidade.

Cancro da prostata


O cancro da próstata é extremamente frequente, ainda que a sua causa exacta seja desconhecida. Quando se examina ao microscópio o tecido prostático obtido numa intervenção cirúrgica ou numa autópsia, encontra-se cancro em 50 % dos homens com mais de 70 anos e praticamente em todos com mais de 90. A maioria destes cancros nunca manifesta sintomas porque crescem muito lentamente. No entanto, alguns cancros da próstata crescem de forma mais agressiva e propagam-se por todo o corpo. Apesar de menos de 3 % dos homens que sofrem desta doença morrerem por causa dela, em muitos países o cancro da próstata é ainda a segunda causa de morte mais frequente entre os homens.



Sintomas:


- Problemas urinários.


- Incapacidade de urinar, ou dificuldade em iniciar ou parar o fluxo de urina.


- Necessidade frequente de urinar, principalmente à noite.


- Fluxo de urina fraco ou intermitente.


- Dor ou ardor durante a micção.


- Dificuldade em ter uma erecção.


- Sangue na urina ou no sémen.


- Dor frequente na zona inferior das costas, nas ancas ou na zona superior das coxas.





Prevenção:


Recomenda-se como medida de prevenção que a partir dos 45 anos todos os homens façam por rotina o doseamento do PSA bem como uma consulta no urologista, anualmente até aos 50 anos e duas vezes por ano a partir dos 50 anos. Poderá assim, em caso de alteração destes parâmetros, desencadear as medidas adequadas que poderão levar a um diagnóstico precoce de cancro da próstata tornando as opções terapêuticas curativas.



Factores de Risco:




- Idade: a idade é o factor de risco mais importante para o cancro da próstata. Esta doença é rara em homens com menos de 45 anos, embora a probabilidade aumente exponencialmente com o avanço da idade. A maioria dos homens com cancro da próstata, têm mais de 65 anos.


- História familiar: o risco de um homem ter cancro da próstata, é mais elevado do que a média, se o seu pai ou irmão tiveram a doença.


- Raça: o cancro da próstata é mais comum nos homens de raça negra, do que de raça branca (caucasiana), incluindo os homens brancos hispânicos. É menos comum entre os homens Asiáticos e os Índios americanos.


- Determinadas alterações da próstata: apresentar células anómalas, chamadas neoplasia intra-epitelial da próstata ( PIN ) de grau elevado, pode aumentar o risco de cancro da próstata. Estas células da próstata apresentam um aspecto anómalo, quando observadas ao microscópio.


- Dieta: alguns estudos sugerem que homens que fazem uma dieta rica em gordura animal, ou em carne, podem ter risco aumentado de ter cancro da próstata. Do mesmo modo, homens que façam uma dieta rica em frutos e vegetais, podem apresentar um risco mais baixo.



Tratamento:


O tratamento do cancro da próstata pode envolver a cirurgia, radioterapia, terapêutica hormonal (hormonoterapia) ou apenas observação. Poderá fazer terapêuticas combinadas.

- Cirurgia: prostatectomia, que consiste na ressecção da próstata;


- Radioterapia que inclui duas modalidades:


- Radioterapia externa: aplicação de radiações a partir de uma fonte externa (é a radioterapia mais utilizada na generalidade das situações, que não o cancro da próstata);


- Braquiterapia ou “sementes” como muitas vezes são designados pequenos fragmentos de material emissor de radiações que são introduzidos na própria próstata.

- Hormonoterapia: utilização de agentes farmacológicos que antagonizam o efeito estimulante dos androgénios. Estes são hormonas sexuais masculinas (testosterona) cuja acção leva ao crescimento do cancro da próstata. Antagonizando-se os androgénios consegue-se uma inibição do desenvolvimento do cancro da próstata.

- Quimioterapia: nalgumas situações pode também estar indicado o uso de quimioterapia.

Cancro da Pele


O cancro de pele é o crescimento anormal e desorganizado das células da pele. Surge com maior frequência na raça branca, depois dos 40 anos e geralmente é provocado por exposições excessivas ao sol. É mais frequente na camada externa da pele (epiderme), o que permite visualizar o cancro na fase inicial.


Sinais e Sintomas:


- No melanoma o tumor é geralmente de bordos irregulares, a cor é diferente dentro da mesma zona, desde o castanho, preto, laranja ou azul.


- Pode surgir como uma bolha de sangue sob uma unha, sem a pessoa se magoar.


- Aumento do tamanho e forma de um sinal novo ou já existente.


- Alteração da pele á volta do sinal, pode ficar vermelha, com ferida, crosta, com comichão ou dor.


- Nas mulheres aparece com maior frequência nos braços e pernas, nos homens na cabeça, pescoço e tronco.





Factores de risco:


- Ter pele clara, com sardas e muitos sinais.


- Ter cabelo ruivo ou louro, olhos claros.


- Dificuldades em se bronzear, sofrendo queimaduras solares facilmente.


- Exposições prolongadas ao sol ou em horas de maior incidência das radiações solares.
- Já ter sofrido queimadura solar.


- Antecedentes de melanoma em familiares.


- Não usar protector solar adequado ao tom de pele, mesmo depois de bronzeado.


- Não usar roupa apropriada, chapéu e óculos de sol.






Prevenção:


A melhor forma de prevenir o cancro de pele é proteger-se do sol. As crianças, em particular, devem ser bem protegidas. Os médicos recomendam a todas as pessoas que limitem o tempo de exposição ao sol e evitem outras fontes de radiação UV.




- Sempre que possível, deve evitar a exposição sol do meio do dia (do meio da manhã até ao fim da tarde). Também se deve proteger da radiação UV reflectida pela areia, água, neve e gelo. A radiação UV pode atravessar roupas finas, pára-brisas, janelas e nuvens.


- Procure usar roupa com mangas e pernas compridas de tecido forte, um chapéu de aba larga e óculos de sol que absorvam as radiações UV.


- Utilize loções com protector solar. Os protectores solares podem ajudar a prevenir o cancro de pele, especialmente os de largo espectro (filtram os raios UVB e UVA), com um factor de protecção solar (FPS) de pelo menos 15. Apesar do uso destes protectores, deve evitar a exposição prolongada ao sol.


- Não se recomenda o uso de lâmpadas ultravioletas e de solários.


Diagnóstico:


O médico especialista (dermatologista) ou cirurgião fazem o diagnóstico através da observação da pele e confirmam com a realização de uma biópsia (recolha de um pequeno bocado de pele para analisar no laboratório de anatomia patológica). O médico pode optar por retirar o tumor em vez de fazer a biopsia. Desta forma manda analisar o tumor todo para se certificar que não ficaram células com cancro.


Tipos de cancro da pele:


Conforme as células afectadas consideram-se 3 tipos de cancro: o basalioma ou cancro basocelular, o carcinoma espinocelular ou pavimento celular e o melanoma maligno.

- O basalioma é o mais comum, aparece por volta dos 40 anos, em pessoas de pele clara, nas zonas do corpo que sofreram exposições prolongadas ao sol (cara, pescoço, mãos e pernas). É de cor rosada brilhante e cresce de forma lenta. O tratamento é feito com uma pequena cirurgia, se for na fase inicial.

- O cancro espinocelular atinge pessoas mais velhas que as do basalioma, na zona da pele exposta por maiores períodos ao sol. São ambos característicos de certas profissões como trabalhadores agrícolas e da construção civil. Surge a partir de lesões já existentes na pele, cicatrizes de queimaduras ou cortes que não curam e apresentam crescimento irregular dos bordos. Desenvolve-se mais rápido que o anterior. Na pele cresce uma espécie de nódulo que sangra facilmente. Se não for tratado na fase inicial pode invadir outros órgãos e levar à morte.

- O melanoma é o cancro mais agressivo do organismo e o mais perigoso dentro dos da pele. É característico de pessoas mais jovens que os anteriores. Tem origem nas células responsáveis pela coloração da pele. Ao contrário dos anteriores, tem origem em exposições periódicas ao sol, em queimaduras solares antigas, quando mais jovens.

Pode aparecer nas zonas do corpo expostas ao sol e em sinais. Geralmente, surge uma mancha preta na pele ou num sinal já existente. O tratamento é feito com cirurgia ao local. Se for descoberto numa fase inicial aumenta a taxa de cura. Também se não for descoberto logo no início, existe grande probabilidade do cancro se espalhar para outros órgãos (metástases), sendo necessário outros tratamentos como radioterapia e quimioterapia, diminuindo os casos de cura.

Tratamento:

O tratamento é cirúrgico. É retirado o cancro pelo cirurgião e enviado para o laboratório de anatomia patológica, afim de confirmarem se o tumor era benigno ou maligno e se foi retirado todo daquela zona.
Se não houver metástases em outros órgãos e o cirurgião retirou todo o tumor, a percentagem de cura é geralmente de 100%. O médico avalia de forma periódica o doente devido ao risco aumentado de surgir novo melanoma.
Nos cancros com metástases, tem que se recorrer a cirurgia, radioterapia (radiações emitidas por uma máquina em doses elevadas para destruir as células do cancro), quimioterapia (medicamentos em comprimidos ou no soro que destroem as células do cancro) e medicamentos que estimulam o organismo a aumentar a sua imunidade.
Nestes casos a taxa de sucesso é baixa.


Prognóstico:


O fundamental do tratamento do cancro é o diagnóstico precoce. Se o cancro for diagnosticado e tratado na fase inicial o prognóstico é bom, se houver metástases pode provocar a morte em meses ou anos. A profundidade do cancro e as defesas do organismo influenciam na evolução da doença.